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A tradição é para reinventar - Cool Jazz 2013
Se há coisa de que estes quatro não podem ser acusados é de terem parado no tempo. Manuel Morgado apresenta os nomes que encerram o EDP Cool Jazz
Diana Krall conquistou já um daqueles lugares a partir dos quais todos os outros se definem. Uma artista de referência, portanto. Há quem a imite, quem apenas se deixe influenciar, quem procure diferenciar-se. Ninguém, no mundo do jazz pop, lhe fica indiferente. Foi logo assim quando, em 1993, começou por irritar os puristas do jazz, simplesmente porque era branca, gira e cantava bem. Ainda faz tudo isso, até melhor, levando agora mais longe o luxo de fazer o que bem lhe apetece. O último disco, Glad Rag Doll (2012) é uma colecção de temas dos anos 20 e 30, produzidos pelo mago do R&B e soul T-Bone Burnett. Guitarras, em vez de cordas, piano rock'&'roll, em vez de piano jazz. Outros standards.
Rufus [Wainwright] em palco é sempre uma experiência surpreendente. Tanto mais quanto, desta vez, volta a solo, ao piano, o que certamente beneficiará sobremaneira aqueles diálogos com o público que marcam os seus concertos. O último disco (Out Of The Game, 2012) não é propriamente dos mais entusiasmantes da sua carreira, revelando mesmo algum cansaço, especialmente na composição, que nem a produção omnipresente de Mark Ronson consegue esconder. Os últimos anos foram, de resto, entregues a algum experimentalismo, como se Rufus quisesse demonstrar que é ainda algo mais do que um dos mais talentosos e seguros da sua geração. Revisitar uma tal carreira em registo intimista é coisa para resultar mais que bem.
Que Jamie [Cullum] virá desta vez? O Jamie dos clássicos em registo clássico, muito piano, cordas e voz serena? Ou o Jamie do último disco, todo ele irrequieto, a piscar o olho à electrónica, até às pistas de dança? Momentum (2013) é, de facto, uma obra de ruptura, como se o ídolo dos adolescentes tivesse chegado à conclusão de que as canções com que se tornou conhecido estavam a ficar demasiado limitadas. Ao vivo, é natural que acabe por vencer a versão tradicional, de mais fácil execução, e - talvez - a que dá mais garantias de agradar à audiência. De qualquer forma, Jamie, apesar das aparências, é já um intérprete com créditos firmados e, logo, com legitimidade para mandar dançar a seu bel prazer.
Herdeiro da tradição soul com empenhamento político, John Legend tem vindo a registar sucessos assinaláveis, depois de, em 2004, ter gravado o primeiro disco à sombra da constelação Kanye West. Pratica uma música eléctrica e electrizante, talvez apelo explícito à dança em noites de Verão. Essa característica é especialmente audível no último disco, Wake Up (2010), com os Roots, um exercício que deve quase tudo ao funk. O disco é, de resto, o mais politizado de toda a carreira, na qual são privilegiadas as canções de soul clássico, servidas por uma voz possante e arranjos dignos dos grandes dessa corrente musical. Estreia de palco em Portugal e uma boa oportunidade para ouvir um músico pouco rodado por cá.
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Maria Rita
Há um ano atrás, quando Maria Rita aceitou o desafio de homenagear a mãe, por ocasião dos 30 anos do seu desaparecimento, pode fazê-lo de consciência tranquila - tinha atrás de si uma década e quatro discos que a confirmavam como cantora por direito próprio. Porque Maria Rita teve que resolver, talvez até perante si própria, essa bênção que era também a sua maior maldição, aquele timbre que faz recordar a cada respiração a enorme voz da mãe Elis Regina. Dessa homenagem, nasceu um disco duplo ("Redescobrir") e uma digressão, que passa agora por Portugal. Timbre à parte, basta ouvir, por exemplo, a versão ao vivo de "Como Nossos Pais" para perceber que Elis não é imitável. Trata-se, pois, de uma homenagem, não de uma (impossível) recriação, mesmo que o tal timbre traia amiúde a cantora e quem a ouve. Uma boa oportunidade para recordar clássicos como "Águas de Março" ou "Arrastão".
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Alicia Keys
Quando Alicia Keys canta sobre uma "Girl on Fire", fá-lo na terceira pessoa. E isso faz toda a diferença. Fossem Beyoncé ou Rihanna a cantar e a tal rapariga em chamas (ardente) estaria na primeira pessoa, como, aliás, no vídeo da segunda com Eminem ("Love the Way You Lie"). Com essas duas divas da neo-soul, estamos no território do explícito - elas mostram tudo, sejam os sentimentos, sejam as pernas. Em palco, são máquinas programadas para continuar esse jogo de hiper-exibição. Alicia Keys é diferente, muito diferente. A zona mais erógena do seu corpo nem sequer está à vista, já que é com as cordas vocais que mais nos seduz. Por isso, nada que enganar - espectáculo com pirotecnia carnal, só no regresso da Rhianna ou da Beyoncé. Não que Alicia não dance, só que a sua dança faz-se mais de insinuação que de transpiração. Os seus gestos limitam-se muitas vezes a leves esboços e, ao vivo, deixa o fitness para os dançarinos convidados. Os concertos de Alicia Keys - e Lisboa já assistiu a quatro, tendo deixado boas recordações de todos eles - vivem de uma ambivalência que poderia conduzir ao desastre, não estivéssemos perante alguém cada vez mais seguro de si, quer como compositora, quer especialmente enquanto intérprete. São espectáculos que não podem escapar às grandes encenações de pendor tecnológico, mas que também guardam um espaço generoso para a demonstração do virtuosismo da artista, seja no papel de pianista (os ecrãs projectam frequentemente grandes planos das suas mãos), de intérprete (e Alicia é, seguramente, uma das mais surpreendentes vozes femininas da actualidade), ou de compositora, e aí será fundamental deixar respirar as texturas, delicadas ou vibrantes, de um R&B de primeira água. Ou seja, haverá espaço para alguma pirotecnia, mas também para o intimismo possível de um grande espaço. E não será difícil adivinhar que será precisamente neste segundo registo que o concerto atingirá os seus melhores momentos. A base da digressão mundial em curso é, obviamente, o seu quinto disco, "Girl on Fire", de 2012, com o qual quebrou um silêncio de quase três anos. Um disco que reflecte o amadurecimento pessoal pós-maternidade, expresso, por exemplo, em "Brand New Me" ou em "New Day", mas pelo qual passa também uma poderosa corrente erotizante ("Fire We Make"), ou baladas do mais puro classicismo de partir o coração "Tears Always Win". É claro que haverá tempo para revisitar um carreira iniciada em 2001 (se descontarmos as aulas de piano, aos sete anos), com Songs In A Minor, e cristalizada em 14 prémios Grammy, mais de 30 milhões de discos vendidos. Uma viagem ao passado por terrenos nem sempre óbvios, e que incluem, por exemplo, "Fallin'", ou "Like You'll Never See Me Again", num registo de enorme contenção. E, claro, o imprescindível "New York State of Mind", com um J-Zay enlatado e projectado em ecrã gigante. Algures entre duas canções, Alicia talvez lhe peça que ligue a luz do telemóvel em nome de qualquer coisa (ou será causa?). O melhor é alinhar. As grandes divas, dizem, não gostam de ser contrariadas.
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Mumford & Sons
O sucesso dos Mumford & Sons construiu-se na estrada. Em
sete anos de carreira, lançaram apenas dois discos – Sigh No More (2009) e Babel
(2012) –, mas deram milhares de pequenos e grandes concertos, em casa e depois
na América, e foi aí, ao vivo, que a fama singrou. Porque esta música funciona
bem é em pubs, onde há muito tempo
nasceu, ou em grandes e pequenas arenas, que a banda enche de banjos vibrantes
e coros gritados. Uma festa, portanto, como Lisboa já comprovou, no Verão
passado, no Optimus Alive. 2013 foi, de resto, o ano de ouro dos Mumford &
Sons (M&S), com uma digressão de sucesso avassalador nos EUA, culminando no
Outono, com o segundo disco a entrar directamente para os primeiros lugares dos
tops e a vender que nem pãezinhos quentes, na América e no resto do mundo. Já
no início deste ano, surgiria a consagração e os M&S a receberiam o
galardão de melhor disco para Babel
na cerimónia dos Grammys. Há que se lhe tirar o chapéu – poucos se atreveriam a
prever tal sucesso, quando, nos primeiros anos, faziam o circuito da música
alternativa no Reino Unido, com um som um tanto inusitado: a recuperação do folk acústico, sustentado quase integralmente
em guitarras, banjos e harmonias vocais, que contavam (e contam) histórias de
amor com frequentes referências religiosas. Terá sido, pois, a persistência e o
tal ambiente de festa quase encantatória que criam em palco que lhes garantiu o
lugar de destaque que agora ocupam. É claro que se trata de um estilo com as
suas limitações e o grande desafio dos M&S será manter a máquina em
funcionamento por muitos e bons anos. Para já, nada mais se lhes pede que repitam
em Lisboa o apelo ao coro do público, talvez ao isqueiro (iphone?) nas baladas
e, seguramente, uns saltos em alguns dos temas mais conhecidos. É dia de festa
e não a vamos estragar com ideias sombrias sobre o futuro, pois não?
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Patrick Watson + Perry Blake
Uma noite de construção de paisagens sonoras na Avenida.
Patrick Watson, já conhecemos, com aquela cacofonia organizada que se tornou
imagem de marca. Perry Blake a
surpreender, com um projecto radicalmente diferente daquilo a que nos habituou.
Deixemos as surpresas para o fim. Patrick Watson traz a Lisboa um concerto
vastamente rodado na América, construído em torno do último disco, Adventures in Your Own Backyard.
Acontece que, nesse CD de prolongada maturação doméstica, o canadiano
experimentou um novo conceito: tentar captar em estúdio a criatividade
exuberante dos espectáculos ao vivo. Uma inversão de processos, que tornará
menos surpreendente o exercício de palco, apesar disso muito recomendável,
tendo em conta o rasto de imaginação que o portugueses tão bem conhecem. Perry
Blake, outro habitué destas paragens,
traz agora o seu novo projecto, Electro Sensitive Behaviour, do qual pouco se
conhece – o disco só sai daqui a umas semanas -, apenas que se trata de
electrónica pura e dura. Resta saber se o projecto abarca apenas as novas
canções, ou se irá reciclar aquelas coisas melodiosas com que o irlandês se
estabeleceu nas margens menos comerciais da pop.
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Andrew Bird - Aula Magna
Ah, os encantos de Lisboa! Andrew Bird é apenas mais um dos
grandes nomes da cena musical contemporânea que se apaixonou pela cidade e que
viu tal amor correspondido. Já cá actuou muitas vezes, já cá passou uns dias,
deu conferências sobre escrita musical (!), já cá escreveu canções (“Tenousness”),
já cá se inspirou para canções “Lusitania” [buhhh... um erro que Bird rectifica na última edição do Ipsilon/Público]. E quando dizemos que se trata de um
dos grandes da música actual não estamos apenas a devolver a simpatia. Apesar
de não andar pelos tops, Andrew Bird é, de facto, um dos mais talentosos
compositores no activo, cruzando influências folk, pop, ciganas, clássicas...
Não se fica, porém, pela composição. É um intérprete de mão cheia, seja pela
voz melodiosa e bem colocada, seja pela faceta de multi-instrumentista, com o
seu quê de experimental, seja pelo famoso assobio, com que adorna muitas das
canções. Seja, finalmente, pelo empenho e criatividade que empresta às
actuações ao vivo. Assistir a um dos seus concertos é, desculpe-se a
redundância, um espectáculo. Porque Andrew Bird, irrequieto mas concentrado na
sua música, enche um palco, supreendendo o público e os músicos que o
acompanham com o modo como reinventa canções que originalmente já eram de grande
riqueza de composição e interpretação. Esta passagem pela Aula Magna centra-se
em Break It Yourself (2012) e no seu
complemento acabado de sair (Hands of
Glory), mas haverá certamente inúmeras viagens ao passado. Lisboa merece.
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The Walkmen - TMN Ao Vivo
É um caso de amor. Poderá ser até desconcertante, mas, como todos os
casos de amor, não tem grande explicação. Entre The Walkmen e os
portugueses há uma certa química, percebe-se que a corrente passa. E não
é nada evidente a razão para esse fascínio mútuo. Sentimo-nos, talvez,
atraídos por aquele lirismo de coração ao pé da boca de “The Rat”, o tema que melhor os identifica. E talvez eles revejam em nós os
românticos incorrigíveis que povoam as suas canções.
Delírios à parte, a verdade é que já são necessários os dedos das duas
mãos para contar o número de vezes que The Walkmen actuaram em Portugal,
desde que, em 2008, aqui puseram os pés (este ano, por exemplo, já
passaram pelo Porto, no Verão). E, claro, não há assim tantas bandas que
tenham traduzido a sua admiração por uma cidade no título de um disco
(Lisbon, 2010).
A digressão que agora os traz cá centra-se no mais recente CD, Heaven, que apresenta uma banda mais segura, mais cuidada na arquitectura das canções, mais atenta aos pormenores, com o que isso implica de perda daquela força radical dos primeiros tempos. Esperam-se, por isso, momentos de algum recolhimento – sendo que seria de bom tom não se cair no exagero de entoar “We Can’t Be Beat” de mãos no ar...
Não que o novo disco não tenha motivos para que Hamilton Leithauser rasgue a voz (“Heartbreaker”, por exemplo), mas deverão ser as velhas canções a puxar a locomotiva quando o Coliseu quiser explodir em movimento de celebração.
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The Walkmen
A voz triste da menina bonita - Norah Jones no Campo Pequeno
Norah Jones arrumou de vez o jazz e vai recriar no Campo
Pequeno a atmosfera delicada e contida dos dois últimos discos. Uma aventura
que apela à disponibilidade de quem a vai ver e ouvir
Aviso à navegação: esta Norah Jones é a nova Norah Jones, e
não a outra, aquela que tanto ouvimos no rádio e da qual (ah, sim, consultem os
arquivos) já andávamos todos um pouco enjoados, tal era a omnipresença sonora
de “Come Away With Me”, o megasucesso de estreia. Essa Norah Jones, talvez nem
fosse necessário recordá-lo, era uma miúda gira, de voz doce, exímia praticante
de um jazz ainda mais ligeiro que o de Diana Krall. Isso foi há uma década e a
rapariga – filha do sitarista Ravi Shankar, mandam as regras que se assinale –
arrecadou nessa altura uma data de grammys, isto para não falar dos dólares. O
encanto manteve-se e tivemos direito a nova dose dois anos depois, com o disco Feels Like Home e o novo megasucesso
“Sunrise”. “Sunrise, sunrise...”, lembram-se?
Pois, essa Norah Jones já não existe e convém que os mais
distraídos tomem disso boa nota, porque esse é um facto relevante para o que
aqui nos traz. A miúda tinha 23 anos quando ficou com o mundo a seus pés e – qualquer
terapeuta o comprovará –, muito aguentou ela, que o sucesso não é coisa de
fácil digestão. Mas, é a lei da vida, há idades tramadas e – desculparão a
incursão tablóide pela intimidade da artista – as miúdas giras apaixonam-se (as
outras também, mas isso não vem agora ao caso) e nem sempre as coisas correm
bem. São as dores do crescimento. Interior.
Chegamos assim a 2009. O jazz (já vos tinha dito que Norah
escrevia o que interpretava?) fica para trás e, coração perturbado, novos
trilhos musicais se apresentam. Eis-nos em pleno território pop, devedor,
embora, de alguma atmosfera indie. Dois discos – The Fall e Little Broken
Hearts, já deste ano – cunham uma nova Norah. As canções são mais íntimas,
mais sofridas, menos luminosas, autobiografias de males do coração. E vestem-se
de roupagens, digamos, menos simpáticas (há lá coisa mais agradável que o jazz
ligeirinho?). As guitarras, na primeira incursão, e a electrónica, na versão
deste ano pela mão de Danger Mouse, dominam as canções. É esta Norah Jones que
agora aparece por cá.
Miúda tímida – é verdade! – canções íntimas e atmosféricas. É
isto Norah Jones ao vivo nos dias que correm. Os sucessos dos primeiros anos, a
crer no alinhamento que já a acompanha desde América e a deverá levar ao resto
do mundo, ficam para os encores, o
que poderá ser uma autêntica chave de ouro para muitos dos que vão passar pelo
Campo Pequeno.
Os outros, espera-se que sejam a maioria, certamente irão à
procura da reinterpretação das texturas delicadas dos dois últimos discos. E é
nesse território que o concerto deve ser apreciado. Norah Jones canta, bem como
sempre, e acompanha-se ao piano e na guitarra, com o apoio de uma banda de
quatro músicos de estrutura pop clássica.
O sucesso de um concerto depende, por vezes, da empatia que
se gere entre quem está no palco e quem assiste. Já percebemos que Norah Jones
está numa fase particularmente sensível, de abertura a novas sonoridades,
experiências. Por uma vez, a dúvida está do lado de cá – é isso que esperam
muitos dos que a vão ver e ouvir?
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Antony no Cascais Music Festival
A tese explica-se facilmente. Antony está convencido de que foi o domínio masculino que nos conduziu à estagnação e à desordem da sociedade actual. E que só um sistema de governo feminino poderá repor o equilíbrio. A tese é desenvolvida num longo monólogo de sete minutos (“Future Feminism”), a segunda faixa do seu novo disco, Cut The World, a editar em Agosto. Trata-se de uma gravação ao vivo, que revisita alguns temas dos quatro discos de Antony and The Johnsons, mas com acompanhamento de orquestra. É precisamente esse conceito que Antony Hegarty vai trazer a Cascais – aqui acompanhado pela Sinfonietta de Lisboa –, naquele que promete ser um dos concertos do ano, não apenas pelas capacidades vocais e dramáticas de Antony, por algumas das mais belas canções escritas nas últimas décadas, mas também pela supresa que são sempre os seus espectáculos. Antes de encerrar com a chave de ouro de Mariza – regressada em grande forma e a caminho de actuar nos Jogos Olímpicos – o Cascais Music Festival ainda cumpre o cerimonial obrigatório de nos apresentar os Pink Martini, aquela confusão de jazz, sons latinos e outras coisas superficialmente agradáveis, sem as quais o Verão teria menos charme.
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Rufus Wainwright
Há uns anos que Rufus Wainwright não escrevia canções de recorte clássico. O novo disco, como nos conta Manuel Morgado, criou a oportunidade perfeita para o regresso de um dos mais completos artistas da actualidade.
Desta vez, as velas vão estar no palco. E se o Coliseu
quiser agradar (e surpreender) a Rufus apenas terá que o imitar, dar ao dedo,
alumiar isqueiros e telemóveis. Velas, quem sabe? É pois com velas (“Candles”)
que o espectáculo começa, em memória de Kate McGarrigle, a mãe falecida há dois
anos. Uma memória cara a Rufus e, por isso, a música de Kate propriamente dita
ouvir-se-á mais à frente, num tributo preparatório de uma homenagem maior,
daqui a uma semana, em Toronto. Como mais à frente se ouvirá uma canção de
Loudon Wainwright III, o pai, e outra dedicada à filha (Viva, neta de Leonard
Cohen), e ainda mais uma dedicada à mãe... É assim este Rufus que agora se
apresenta em palco, ainda com mais referências à família, num movimento de
permanente reverência às raízes da sua música.
Esta digressão
mundial (Europa, América, Austrália) destina-se a celebrar o regresso em
disco às canções, puras canções, depois das experiências operáticas e
pianísticas dos últimos anos. Out Of Of
The Game é, pois, a continuação dos dois volumes de Want (2003, 2004), Release
The Stars (2007) e mesmo de Poses
(2001). Um exercício que teve aos comandos Mark Ronson, a vedeta do retro-soul
(Amy Winhouse), o qual injecta nas composições características de Rufus meia
dose de electrónica e outra de nostalgia, desta feita, à anos 70. Há, por isso,
quem insista em ouvir por aqui Bowie, Fleetwood Mac, Elton John e até os Eagles
– a toada ligeira do tema “Out Of The Game” legitima todas essas aproximações –,
sendo que a verdade é que nunca deixa de se ouvir Cole Porter, talvez a
influência mais marcante do fraseado daquele é certamente um dos mais interessantes
compositores deste início de século.
Para o palco, saltará algo de Ronson - “Bitter Tears” e
“Perfect Man” são indissociáveis da batida funk
- mas salta especialmente o bom e velho Rufus, um artista com um apuradíssimo
sentido do espectáculo. Out Of The Game
está, de resto, recheado de temas de grande resultado dramático, a pedirem
encenações grandiosos, não lhe falhem instrumentos e coros. É o caso, por
exemplo, da canção que dá nome ao disco, ou de “Jericho” e “Rashida”, propícias à exuberância de cabaret
de que Rufus é um perito. E depois há os momentos mais intimistas, como
“Montauk”, “Respectable Dive” ou “Sometimes You Need”, em relação aos quais se levanta
a dúvida de saber se a abordagem ao vivo comporta os suaves adornos de Ronson,
ou se, pelo contrário, opta por uma uma derivação mais singela.
Entre homenagens e o disco novo, pouco tempo sobrará para
revisitar a carreira já recheada de sucesso e belíssimas canções. A ácida “Going
to a Town”, ou “Poses” serão algumas das poucas excepções e quem quiser mais
talvez seja de insistir nos encores...
Uma coisa é certa – pelo que se conhece do artista (e esta é
a quarta vez que actua em Lisboa), a noite está garantida. Poucos reunem hoje
em dia tão distintas qualidades de composição, interpretação vocal e
dramatização em palco.
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Rufus Wainwright
Stacey Kent
“Já lá vem o meu comboio...”. Talvez o sentido de humor de Stacey Kent a leve a começar assim o concerto do CCB. Assim, num português tropical, inseguro e, talvez por isso mesmo, sensual. Só para surpreender os incautos... A canção, com letra do poeta português António Ladeira, integra o último disco da cantora, Deamer In Concert, gravado em 2010, no parisiense La Cigale, e que será a base para esta terceira apresentação numa sala de Lisboa de que já conhece os cantos. “O comboio”, assim se chama a canção, é bem o retrato da mais recente paixão desta norte-americana, a língua portuguesa, obviamente com sotaque. A bem da verdade, só a língua é mesmo paixão recente, já que a música de Stacey sempre teve aquele toque tropical, ligeiro, que tanto arrelia os puristas do jazz. De qualquer forma, embora articule correctamente o fraseado do género, afro-americano, Stacey Kent está muito longe de ser uma cantora de jazz pura, ou lá perto. E isso reflecte-se no repertório, que inclui os habituais standards americanos, mas também muitas coisas brasileiras (Jobim, especialmente) e outras franceses (e até célebres temas brasileiros cantados em francês, como o “Samba Saravah”, de Vinicius) a par dos originais de Jim Tomlinson, marido, saxofoniste chefe de (pequena) orquestra. Garantidamente, uma noite elegante, suave, sem emoções muito fortes.
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Joan As Police Woman
A polícia volta sempre ao local do crime. Joan esteve no Lux em Outubro de 2009, acompanhada do multifacetado Timo Ellis e de um gravador de cassetes, para interpretar basicamente temas de um EP de circulação limitada, Cover, disco de versões, pois claro. E uma das curiosidades deste regresso ao local do crime é saber se agora, completamente a solo (o gravador não avisou se vinha), teremos direito a alguma revisitação de Bowie, Public Enemy, Hendrix ou... Britney Spears. Interessante, na medida em que seria uma espécie de re-revisitação, em registo piano e voz, tal como anunciado. Certo, certo é que esta apresentação a solo basear-se-á essencialmente no último disco, The Deep Field (2011), por sinal aquele em que houve maior preocupação de vestir as canções. É um disco bem mais luminoso que os dois iniciais de Joan As A Police Woman (Real Life, de 2006, e To Survive, de 2008), ambos marcados por sombras de tragédias familiares. Para a luz da obra mais recente muito contribui o trabalho colectivo dos músicos, acompanhando uma radical assunção da veia soul de Joan Wasser (ouça-se, por exemplo, “Chemmie”.) Se é fácil imaginar a encenação a solo de uma balada clássica como “Forever And A Year”, já a passagem a piano e voz do funk de “Run For Love” pode ser uma manobra surpreendente. O mais certo é que, mesmo só com piano, os corpos se deixem electrizar pela descaradamente pop “The Magic”, afinal o lado mais comercial de Joan.
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Luísa Sobral
O cartaz promete surpresas para os concertos do CCB e da Casa da Música. Não esperávamos outra coisa, mas não lhe pedíamos tanto. Luísa Sobral foi uma das surpresas mais refrescantes de 2011 e, passado um ano sobre o lançamento do primeiro disco, o bolo e a cereja ainda estão no prazo de validade. Estes concertos de consagração poderiam, por isso, ser o mero corolário de um ciclo, o ciclo inaugural. E já seria bom. Mas prometem-se surpresas e não se perde nada em apostar que, sobre convidados e orquestrações, surja a cereja de alguns inéditos. A escolha dos palcos para esta consagração não será obra do acaso, como nada é na obra de Luísa Sobral. São palcos contemporâneos, até elitistas, mas também palcos onde tudo já se cruzou, o rock e o fado, Mozart e os blues. Não será tão ecléctica a música de Luísa, mas estão lá os traços do jazz de que quis gostar, do pop que ouviu desde cedo, do classicismo que terá absorvido nos estudos americanos. O que se promete para Lisboa e Porto é uma versão talvez ainda mais refinada, elegante, daquilo a que várias cidades portuguesas assistiram nos últimos meses. E que há semanas a revista francesa Les Inrockuptibles classificou como algo a que vale a pena estar atento nos anos que aí vêm. Atentemos, pois.
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Tindersticks
Sim, preparem-se para uma declamação de dez minutos, acompanhada por teclas e guitarras, essencialmente. É o tema de abertura do novo disco dos Tindersticks e, apesar de os mais antigos acharem que soa a “Atlantis”, do Donovan, a história contada por David Boutler lembra mais a comédia de equívocos sexuais de “Lola”, dos Kinks. Uma história bem humorada, coisa rara na banda de Nottingham. O resto, já sabem, fica entregue a Stuart Staples e à sua característica voz de barítono com um ligeiro (às vezes, mais que ligeiro...) trémulo. Esta nova passagem dos Tindersticks pelo burgo destina-se, essencialmente, a apresentar “The Something Rain”, uma edição já deste ano, em que a banda se espraia por latitudes musicais muito diversas. Claro que a toada dominante é a nocturna, com temas de uma marcada placidez (“A Night So Still”), mas os corpos talvez não resistam ao apelo R&B de “This Fire Of Autumn” e muito menos à batida mais evidente de “Frozen”. Muito provavelmente, faltarão em Lisboa os deliciosos coros femininos à la Cohen que pontuam o disco, ou mesmo alguns deliciosos apontamentos de cordas e metais. Fica, pois, uma banda de teclas e guitarras, afinal de contas a marca desta segunda encarnação da banda.
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Rita Redshoes
Diz-me o que ouves, dir-te-ei quem és. Se cantares, oh oh, então dir-te-ei, não apenas quem és, mas quem gostarias de ser. Rita Redshoes gostaria de ser Tori Amos, mas isso já sabíamos dos discos. E gostaria de ser ainda PJ Harvey, Amélia Muge, Loretta Lynn, Lhasa de Sela, Joan Jett, Nina Simone, Dolly Parton, Joni Mitchell, Patti Smith, Sheryl Crow... Uff, tantas. E, claro, Rita gostaria de ser David Fonseca, mas isso também já sabíamos dos discos (e o nome estragava a série...). Gostar de ser tanta gente não tem mal nenhum, antes pelo contrário. “Gostar de ser” pode ser “apropriar-se de” e é isso que Rita Redshoes vai fazer numa série de espectáculos que vão correr o País e que começam em Lisboa, a 8 de Março, Dia Internacional da Mulher. Não por caso. O universo de Rita é assumidamente feminino e nestes concertos ela pretende homenagear aquelas mulheres que, de alguma forma, a influenciaram e fizeram despertar para a música. Pelo palco e pela voz de Rita vão passar canções como “Bad Reputation”, “Save Me”, “Ring Of Fire”, ou “Man Size”, em versões que, esperamos, juntem pelo menos um pouco de Rita a cada uma delas. Até porque há a promessa de uma “releitura dinâmica e surpreendente”. Isso, surpreende-nos Rita, que nós gostamos.
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Patrick Wolf
Ouvimos “The City” e imaginamos dezenas de dançarinos sincronizados como nos velhos filmes de Hollywood, ao som de uma fanfarra grandiosa. Ouvimos “Time Of My Life” e até vemos os dançarinos a marcarem o passo com palmas, levitando sobre violinos. A dúvida para este concerto de Lisboa é perceber como vai Patrick Wolf encher o palco, se com dançarinos (pouco provável), fanfarras e violinos (talvez, talvez) ou, garantidamente, com aquela voz de barítono, que nunca como neste último Lupercalia ganhara tanto espaço para se projectar. Lupercalia era a designação dada a uma festa pré-romana de celebração da Primavera, no caso presente aplicada a uma fase literalmente apaixonada de Patrick Wolf. Daí a luminosidade que emana de todas as canções, a descarada e exuberante felicidade de tudo isto. Estamos perante alguém que dá tudo em palco – os portugueses conhecem-no, por exemplo, de uma relativamente curta passagem pelo último Optimus Alive – e não é, por isso, difícil de adivinhar uma prestação empenhada, em que cada canção merecerá uma encenação própria, um investimento total. Seja com o autor ao piano, na harpa, no violino… E, já agora, outra dúvida para resolver neste concerto: será que Patrick Wolf arriscará cruzar estas alegres canções de 2011 com outras, digamos, mais sombrias, de fases menos apaixonadas da sua vida, perdão, da sua carreira? Deixarmo-nos surpreender poderá ser o papel que nos está reservado, afinal.
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Katie Melua
Katie Melua é uma rapariga confiável. E cabe a cada um fazer o julgamento, ou gosta assim mesmo, ou sabe-lhe a pouco. Os portugueses parecem filiar-se no primeiro grupo, se tivermos em conta que Katie é relativamente popular cá pelo burgo. Confiável porque, não sendo propriamente uma autora e intérprete de primeira grandeza, cumpre mais que os mínimos e não costuma desiludir.
São assim os seus discos: agradáveis, nunca demasiado
surpreendentes, mas também nunca abaixo da linha de água. Por cá, o sucesso
deu-se ao segundo e terceiro disco, Piece
by Piece (2005) e Pictures
(2007), sendo que o mais recente, Horses
(2010), talvez só agora, com os concertos de Lisboa e do Porto, saia do
armário.
Apoiada pelo produtor William Orbit (o mago da fase mais
electrónica de Madonna), Katie tenta, em Horses,
alargar horizontes para lá da imagem folk
e jazzy que marcou os primeiros anos
de carreira. Está agora mais atmosférica, nuns casos, mais opulenta, noutros.
Obviamente, são coisas que casam, o jazz e o folk, com a
electrónica e não virá mal ao mundo se, na passagem por Portugal, alguns dos
clássicos (“The Closest Thing To Crazy” ou “Nine Million Bicycles” surgirem com
roupagens diferentes. Até porque, ao vivo, Katie costuma imprimir uma grande
carga dramática, por vezes quase operática, a cada interpretação, fazendo
normalmente esquecer o original. É isso que torna cada espectáculo de Katie
Melua apetecível, não apenas para os fãs, mas igualmente para um público mais
vasto. Aquele a quem bastam artistas confiáveis, é claro.
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Divine Comedy
Um dos grandes encantos dos Divine Comedy é o casamento perfeito, ora dramático, ora simplesmente lírico, entre os arranjos de cordas e a voz bela e grave de Neil Hannon.
Ora não é nada disso que vamos ter nas próximas
apresentações do senhor Divine Comedy em Portugal. Hannon viaja acompanhado
apenas de piano e guitarra e é assim que vai subir ao palco. Perde-se a
grandiosidade do som dos Divine Comedy, o seu traço barroco, e ficamos apenas
com as canções.
E aqui entra outro dos grandes encantos dos Divine Comedy –
as canções. Neil Hannon é um dos melhores autores da década de 90, propondo-nos
um raro equilíbrio do humor com a ternura, das reflexões melancólicas com a
crítica social.
Isso mesmo é audível no disco com que recentemente quebrou
um silêncio de quatro anos, o qual já tinha sido antecedido de silêncio de
igual magnitude. Isto tudo porque Hannon se tornou um homem de família e também
porque, confessa, não tem muita paciência para as despesas da fama. Bang Goes
The Knighthood é um disco com uma canção sobre a crise financeira internacional
(“The Complete Banker”), mas também com temas tão reveladores como “When a Man
Cries”.
Ao piano ou à guitarra, Hannon terá, obviamente, que
regressar ao clássicos dos Divine Comedy, por exemplo, “The National Express”,
”Our Mutual Friend”, ou “Something For The Weekend”. E talvez cante, se lhe
pedirem, uma canção de Brel, Brassens ou Gainsbourg, daquelas que gravou ao
vivo para uma edição especial de “Bang Goes The Knighthood”.
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Regina Spektor e Chris Isaak
O Cool Jazz Fest tem vindo a afirmar-se como um dos mais
interessantes festivais de Verão em Portugal. Desdobrando-se por todo o mês de
Julho, em vários e inesperados palcos de Cascais e Mafra, apresenta muito mais
que o jazz e arredores indiciados no título. Este ano traz-nos , por exemplo,
Elvis Costello e o grande Solomon Burke.
As honras de abertura vão, porém, para dois nomes pop que
pouco ou nada têm comum.
Regina Spektor é uma russa que cresceu nos meios musicais de
Nova Iorque. Da Moscovo natal nada lhe ficou, à excepção talvez do piano de que
é inseparável. Faz uma música de autor, pouco comercial, sofisticada, apesar de
nunca perder de vista os cânones da pop actual.
A sua primeira actuação em Portugal basear-se-á nos dois
primeiros discos de originais: Begin To Hope
(2006) e Far (2009), sendo que as
potencialidades das canções e a versatilidade da artista prometem uma noite
luminosa e de improvisos.
Chris Isaak é de outra colheita. Californiano, na casa dos
50, evoca os anos 50 e 60, na vertente melancólica, assumindo-se como herdeiro
de Roy Orbison e das suas canções de sofredor apaixonado e abandonado.
Tem uma canção que já toda a gente ouviu, embora talvez não
saiba nomear (“Wicked Game”), representativa da extrema sensualidade que marca
a sua obra.
Após um jejum de sete anos, lançou um disco em 2009 (Mr. Lucky), que será a base da actuação
em Portugal, naquela que promete ser a noite romântica do festival.
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Alicia Keys
Alicia Keys toca piano e isso faz toda a diferença. O piano,
de raiz clássica, confere-lhe um estatuto à parte, de uma certa superioridade,
nos meios R&B, hip-hop e neo-soul em que se move. Isso começa por se notar
nos discos, em que as teclas chegam a declinar um ou outro tom mais clássico.
Ao vivo, o piano como que dispensa das encenações e danças musculadas, como,
por exemplo, as de Beyonce.
Essa classe de Alicia tem, no entanto, um senão - a frieza,
tanto mais estranha quanto estamos num estilo musical em que tudo é calor, a
começar pelo humano, tudo é expansivo. Alicia leva tanto a sério a sua música,
que se “esquece” de ser sedutora, de insinuar.
Junte-se tudo isto e temos, como alguém disse, uma artista
que não sua em palco. Ou que, pelo menos, não transforma cada espectáculo numa
exibicionismo de ginásio, tão em voga, especialmente entre as vozes femininas.
Conclusão: os espectáculos de Alicia Keys são uma
sensaboria? Não necessariamente. São apenas concertos em que a vertente musical
ainda impera sobre a visual. Não estamos perante uma Madonna, ou sequer uma
Beyonce.
Esta sua terceira passagem por Portugal será centrada no
último disco (The Element Of Freedom,
2009), que, a propósito, está longe de ser o mais interessante da sua carreira.
Obviamente, os sucessos anteriores serão os mais requisitados pela plateia.
No Pavilhão Atlântico, o sucesso jogar-se-á, acima de tudo,
nos músicos e nos arranjos com que vestirão cada tema. E, claro, mais na voz
que na movimentação em palco de Alicia.
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