Esqueçam o Olympia. Nos dias que correm, qualquer um lá
chega. Nesta edição, a parte mais valiosa é o DVD, todo filmado a preto e
branco, em que há, é verdade, Paris, mas acima de tudo os ensaios, os encontros,
as canções, no conforto da casa de Lisa, entre amigos, algures na Suécia natal.
É claro – não sejamos ingénuos – nada disto é espontâneo. Afinal de contas,
meteram lá em casa uma equipa de televisão. Mesmo assim, há um doce aroma a
improviso, ou, se quiserem, a reinvenção, em canções como “The World Keeps
Turning” ou “Sing” que suplanta o tal espectáculo do Olympia. Mas, já que o
disco se chama “At The Olympia”, convém referir que, além de algumas canções no
DVD, temos direito a um CD áudio todo ele made in Paris. Nada que não
conheçamos – Lisa já passou mais que uma vez por cá -, ou seja, aquele jazz
muito ligeiro, bossa à mistura, e aquele fio de voz que limpa as canções de
Cole Porter de qualquer traço de Sinatra.
The Unthanks - Last ****
A melancolia como forma de arte. Êxtase para os adeptos das
coisas tântricas, um desespero para o resto dos mortais. Há oito anos e quatro
discos que as manas Unthanks se dedicam à obsessiva tarefa de espalhar a
tristeza pela face da Terra. As canções, muitas delas tradicionais, outras de
autores mais ou menos famosos, e ainda outra originais, são submetidas a um
eficaz processo de desaceleração rítmica, embrulhadas em esparsas orquestrações
e depois passadas pelas vozes encantatórias de Rachel e Becky, quais sereias da
folk britânica, atraindo-nos para abismos imensos.
Neste Last, o
trabalho de orquestração é particularmente meticuloso, por exemplo
transfigurando “Starless” (dos King Crimson) numa canção de beleza sufocante.
Já “No One Knows I’m Gone” (de Tom Waits) resulta relativamente banal. “Close
the Coalhouse Door” entra por caminhos complicados, tornando talvez demasiado próximo o drama dos
mineiros. Não é para todos.
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The Unthanks
Jessica Lea Mayfield - Tell Me ****
Um disco complexo. Talvez assuste. Mas muito sedutor, e isso
muda tudo. Aos 21 anos e ao segundo disco, Jessica Lea Mayfield revela uma
poética experiente, capaz de lidar com os mais tortuosos sentimentos. Embalados
pela fragilidade preguiçosa da voz, somos amiúde atraídos para autênticas
armadilhas de sedução, às quais, sim, nem falta alguma evidente carnalidade. E
é preciso frisar esse primado do texto, para que não sejamos (dis)traídos pelo autêntico caleidoscópio em que o
produtor Dan Auerbach (dos Black Keys) transformou este exercício,
surpreendentemente, sem pôr em perigo o conjunto. E é assim que viajamos pelo
mais puro pop (“Blue Skies Again”), a electrónica pouco sofisticada (“Grown
Man”), ou momentos de grande intensidade, como “Run Myself Into The Ground”,
passando pela revisitação da country (“Sometimes At Night”). As guitarras, um
tanto desgrenhadas, a par da voz, claro, acabam por ser a corrente que dá
coerência ao conjunto.
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Jessica Lea Mayfield
Lucinda Williams - Blessed ****
Canções de entrega e abandono, de preferência em registo de
balada. Com voz quase balbuciada, lânguida, ora sofrida, ora insinuante. E há
uns anos que Lucinda não ia tão fundo, na entrega absoluta, ou da dor da ausência.
Neste disco, há dois amigos que partem, talvez para a órbita da terra, talvez a
caminho do sol, como ela canta em “Copenhagen”, ou em “Seeing Black”, dedicada
a Vic Chestnutt e com Elvis Costello na guitarra. E há o outro lado da vida, o
amor incondicional (“Born To Be Loved”), encantatório (“Kiss Like Your Kiss”),
e incondicional outra vez (“I Don’t Know How You’re Livin’”). Talvez devido à
produção, extremamente cuidada, mas seguramente também graças à composição,
este é um dos melhores discos de Lucinda Williams e marca um certo regresso às
origens, do blues e do country sofisticados, onde nunca falta pelo menos uma
guitarra, de preferência eléctrica e agreste.
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Lucinda Williams
Luísa Sobral - The Cherry On My Cake ****
Norah Jones e Regina Spektor. Pronto, já está. Mandam as
regras que cada cantor(a) novo(a) deve ser rotulado(a) com as suas influências.
Diz que facilita a orientação do consumidor… Luísa Sobral tem, de facto, um
estilo que faz lembrar o pop-jazz da primeira e a criatividade da segunda. Mas
– que Diabo! - das 13 canções deste disco só não escreveu uma (“Saiu Para a
Rua”, de Rui Veloso, em versão peculiar) e, se há coisa que a estreia demonstra,
é uma compositora e cantora com asas para ir bem mais longe. Aos 16, foi aos
Ídolos, depois viajou para os EUA, onde aprendeu música a nível universitário e
actuou, entre Boston e Nova Iorque. No regresso à pátria, aos 23, lança um
disco, entre o pop e o jazz, em inglês e português (menos deste, mas mesmo
assim com uma das melhores canções, “O Engraxador”). E o disco está a ser
acompanhado por uma boa campanha de promoção. Tudo muito profissional, raro por
cá. Tem pernas para andar.
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Luísa Sobral
Drive-By Truckers - Go-Go Boots ***
Os Drive-By Truckers produzem que se fartam. No ano passado,
foram para estúdio e gravaram tanto, que acabaram por fazer dois discos (para
já…). The Big To-Do (2010) ficou com
os temas mais ao estilo da banda: três guitarras, sempre a abrir, nada do outro
mundo. Este Go-Go Boots é mais
temperado. Mantém-se, obviamente, o pano de fundo sulista, agreste, mas as
guitarras eléctricas cedem a vez a uma ou outra acústica e o ritmo desacelera
claramente. Aqui, pisamos o solo das baladas, de raiz soul, blues, country…
Duas belas canções de Eddie Hinton (um pequeno mito dos estúdios, já falecido)
– “Everybody Needs Love” e “Where’s Eddie” dão o tom, mas todo o disco decorre
numa toada calma, deixando respirar as histórias de gente comum que são outra
das marcas do grupo. Do lado dos originais, ressaltam “Dancin’ Ricky” e “Ray’s
Automatic Weapon”, mais dois personagens bem construídos. Um disco que merece,
no mínimo, uma espreitadela.
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Drive-By Truckers
Katie Melua
Katie Melua é uma rapariga confiável. E cabe a cada um fazer o julgamento, ou gosta assim mesmo, ou sabe-lhe a pouco. Os portugueses parecem filiar-se no primeiro grupo, se tivermos em conta que Katie é relativamente popular cá pelo burgo. Confiável porque, não sendo propriamente uma autora e intérprete de primeira grandeza, cumpre mais que os mínimos e não costuma desiludir.
São assim os seus discos: agradáveis, nunca demasiado
surpreendentes, mas também nunca abaixo da linha de água. Por cá, o sucesso
deu-se ao segundo e terceiro disco, Piece
by Piece (2005) e Pictures
(2007), sendo que o mais recente, Horses
(2010), talvez só agora, com os concertos de Lisboa e do Porto, saia do
armário.
Apoiada pelo produtor William Orbit (o mago da fase mais
electrónica de Madonna), Katie tenta, em Horses,
alargar horizontes para lá da imagem folk
e jazzy que marcou os primeiros anos
de carreira. Está agora mais atmosférica, nuns casos, mais opulenta, noutros.
Obviamente, são coisas que casam, o jazz e o folk, com a
electrónica e não virá mal ao mundo se, na passagem por Portugal, alguns dos
clássicos (“The Closest Thing To Crazy” ou “Nine Million Bicycles” surgirem com
roupagens diferentes. Até porque, ao vivo, Katie costuma imprimir uma grande
carga dramática, por vezes quase operática, a cada interpretação, fazendo
normalmente esquecer o original. É isso que torna cada espectáculo de Katie
Melua apetecível, não apenas para os fãs, mas igualmente para um público mais
vasto. Aquele a quem bastam artistas confiáveis, é claro.
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Katie Melua
Pearl Jam - Live On Ten Legs ****
Na última década, os Pearl Jam lançaram 72 discos duplos com
cada uma das suas actuações ao vivo. Uma batalha contra a pirataria, que
proporcionou a cada fã uma espécie de souvenir
personalizado. Esse gesto resulta, porém, de uma constatação óbvia – é ao
vivo que a banda dá o seu melhor e as versões de concerto são normalmente mais
interessantes que as de estúdio.
Este On Ten Legs é
uma espécie de Best Of desses 72
discos, já que reúne 18 gravações efectuadas em vários espectáculos, entre 2003
e 2010. E é também demonstrativo da enorme energia colocada em cada canção,
seja nos permanentes riffs das guitarras, seja na voz (es)forçada de Eddie
Vedder. Banda poderosa, esta.
Estas 18 canções abarcam toda a carreira dos Pearl Jam, com
especial incidência no primeiro e marcante Ten
(“Jeremy”, “Alive”, “Porch”), mas chegam até ao recente Backspacer (2009). À laia de bónus, surgem ainda “Public Image”
(dos PIL) e “Arms Aloft” (de Joe Strummer).
Adele - 21 ****
Então a Amy Winehouse nunca mais tem disco novo? Bom, isso
agora não interessa nada, até porque não é dela que vamos falar. A Amy só vem à
memória porque Adele – as coisas que os magos do marketing inventam – foi
considerada a nova Amy, quando apareceu, vai para três anos. Na verdade, à
semelhança de outras britânicas, como Duffy, também Adele é uma espécie de
“filha” comercial de Amy, especialmente pela exploração do filão do
revivalismo.
Mas a verdade é que – ah, ah – Amy não tem disco novo e
Adele tem. O primeiro chamava-se 19 e
recebeu uns Grammys. Este chama-se 21
(que original…) e, se não ganhar prémios, vai pelo menos engrossar
violentamente a conta bancária da autora.
Adivinham-se sucessos atrás de sucessos com várias das canções aqui
presentes.
Este disco consagra uma autora muito acima da média e uma
intérprete peculiar. A voz de Adele é bonita, mas tem vulnerabilidades, que ela
consegue valorizar, encaixando-as no fraseado, transformando nota falsas em
estilo.
Há aqui revivalismo em doses consideráveis – o tema de
abertura e primeiro single, “Rolling In The Deep” é uma explosão de disco e
gospel – mas há, acima de tudo, um classicismo feito de doses equilibradas de
elegância e emoção. O amor – melhor, o desamor, as separações – são a
matéria-prima destas canções, com “Someone Like You” (piano e voz, apenas) a
revelar-se desde já como um dos clássicos nessa matéria.
A produção, por onde anda Rick Rubin – há em todo o disco
apontamentos americanos, que fazem antever uma aposta comercial forte no outro
lado do Atlântico -, é toda conduzida para deixar fluir a voz, não se
dispensando, no entanto, de uns coros pujantes e de alguns momentos de grande
beleza, seja apenas no piano, seja em curtos trechos de cordas.
Feist - Look At What The Light Did Now ** (extras ****)
Está tudo ao contrário. Neste pacote, chamemos-lhe assim,
deve-se começar pelo fim, pelo CD áudio. É, de longe, o pedaço mais
interessante desta edição - metade preenchido com actuações de Feist ao vivo,
metade com improvisos de Chilly Gonzales, ao piano, sobre os temas originais de
The Reminder, o CD de 2007 que está
na origem de tudo isto.
Apesar de ser apresentado com a peça central, o documentário
Look At What The Light Did Now é uma peça relativamente desinteressante. São 80
minutos de filmagens de bastidores, de entrevistas e de excertos de
espectáculos ao vivo, tudo filmado num registo assumidamente lo-fi. A ideia é
encenar a criação, gravação e apresentação ao vivo de The Reminder, o maior sucesso da canadiana Feist até à data. Mas,
na verdade, não há muito que contar para lá de umas banalidades que, em
circunstâncias normais, poderiam ser o extra de um DVD, mas nunca o seu
coração.
A grande valia desta edição está, especialmente, no CD
áudio, em que Feist interpreta com uma particular delicadeza canções como “So
Sorry” ou “Where Can I Go Without You?”, ou, num formato mais pop, “Secret
Heart”. Em qualquer dos casos, versões bem mais quentes e íntimas que as de
estúdio.
Os próprios extras do DVD acabam por ter mais pólos de
interesse que a peça central. Incluem, por exemplo, duas curtas metragens
construídas a partir de canções de Feist (“The Water” e “Departures”), em que
há pelo menos a tentativa de construir uma narrativa.
E há ainda algumas actuações ao vivo, embora padeçam da
mesma pobreza visual do documentário central, e os clipes de maior sucesso
(“1234” e “My Moon My Man”, por exemplo) de The
Reminder.
São, enfim, duas ou três horas literalmente bem embaladas,
para alegria de fãs e coleccionadores.
Regina Spektor - Live in London ****
Há, é certo, muita tecnologia envolvida. Mas a essência está
lá. E o que mais espanta é isso mesmo – como consegue alguém encher um palco,
uma sala, com uma voz, com todas as vibrações e subtilezas de uma voz. A voz de
Regina Spektor merece toda a tecnologia do mundo, tal é o cuidado posto na sua
modulação, os trinados, os sussurros, as explosões, a alegria de cantar. A voz
está para Regina como o corpo e os artifícios cénicos estão para as beyoncés e
as gagás – é ela, a voz, que enche o palco, é dela que emana toda a
espectacularidade. Percebe-se isso ouvindo o CD, mas tudo se torna muito mais
evidente quando se assiste ao registo vídeo em DVD, todo ele construído à volta
dos grandes planos dos lábios de Regina. Por mais que o corpo cresça e se
balanceie ao piano, é na voz, nos lábios, que tudo se concentra. É aí que
reside a coreografia essencial desta música.
O pacote inclui os dois suportes (CD e DVD) resultantes de
uma actuação, em Dezembro de 2009, no Hammersmith Apollo, de Londres. As
canções são mais ou menos as mesmas (especial incidência na última gravação em
estúdio, Far, de 2009), embora o
alinhamento não seja idêntico. No DVD, intercalaram as canções com cenas de
bastidores e da digressão, uma opção discutível, na medida em que terá sido
sacrificada a relação entre a artista e o público.
Os fãs de Regina encontram aqui canções raras, como “Love,
You’re A Whore”, os simples mortais têm aqui um excelente “Regina para
principiantes”, uma colectânea do melhor dos seus três discos, interpretado
como se de uma gravação de estúdio se tratasse. E nunca será demais salientar
que tudo isto é conseguido apenas com um piano (às vezes, uma guitarra), um
quarteto de cordas e uma bateria. E, claro, a voz.
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Regina Spektor
Norah Jone - Featuring ***
Quem quer cantar com a Norah que canta tão bem e é tão
bonitinha? Todos. Até Ray Charles, que foi uma das últimas coisas que fez antes
de morrer, em 2004.
Este disco reúne 18 canções, editadas entre 2001 e 2010, e
acaba por ser uma colecção algo decepcionante. Esperar-se-ia que de um talento
excepcional, como o de Norah, acompanhado de um leque de famosos ou nem tanto,
saísse um disco de excepção. Não é o caso. A generalidade das canções viaja à
boleia da voz quase encantatória de Norah Jones, no seu registo soft jazz, e abstém-se de arriscar. É
muito agradável ouvir os Belle and Sabastian, até porque a canção é fabulosa, a
reinterpretação de “Court & Spark” (Joni Mitchell) na companhia de Herbie
Hancock é muito boa, e há ainda mais um punhado de coisas interessantes. Mas a
maioria das versões fica-se pela mediania, ou pior ainda (Willie Nelson, Dolly
Parton). Norah Jones merece e é capaz de melhor.
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Norah Jones
Divine Comedy
Um dos grandes encantos dos Divine Comedy é o casamento perfeito, ora dramático, ora simplesmente lírico, entre os arranjos de cordas e a voz bela e grave de Neil Hannon.
Ora não é nada disso que vamos ter nas próximas
apresentações do senhor Divine Comedy em Portugal. Hannon viaja acompanhado
apenas de piano e guitarra e é assim que vai subir ao palco. Perde-se a
grandiosidade do som dos Divine Comedy, o seu traço barroco, e ficamos apenas
com as canções.
E aqui entra outro dos grandes encantos dos Divine Comedy –
as canções. Neil Hannon é um dos melhores autores da década de 90, propondo-nos
um raro equilíbrio do humor com a ternura, das reflexões melancólicas com a
crítica social.
Isso mesmo é audível no disco com que recentemente quebrou
um silêncio de quatro anos, o qual já tinha sido antecedido de silêncio de
igual magnitude. Isto tudo porque Hannon se tornou um homem de família e também
porque, confessa, não tem muita paciência para as despesas da fama. Bang Goes
The Knighthood é um disco com uma canção sobre a crise financeira internacional
(“The Complete Banker”), mas também com temas tão reveladores como “When a Man
Cries”.
Ao piano ou à guitarra, Hannon terá, obviamente, que
regressar ao clássicos dos Divine Comedy, por exemplo, “The National Express”,
”Our Mutual Friend”, ou “Something For The Weekend”. E talvez cante, se lhe
pedirem, uma canção de Brel, Brassens ou Gainsbourg, daquelas que gravou ao
vivo para uma edição especial de “Bang Goes The Knighthood”.
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Divine Comedy
Nicotine’s Orchestra - Ghosts and Spirits ****
Há muito que o Barreiro deixou de ser a cidade
pós-industrial deprimida e passou a integrar uma América imprecisa, talvez no
Sul, numa época também ela indefinida. Nomes como Nick Nicotine, músico,
produtor, editor e organizador de festivais, colocaram a cidade num roteiro do
rock nacional que vive à margem da rádio e de outros circuitos de divulgação.
Este disco, o segundo da Nicotine’s Orchestra, é uma boa
oportunidade para a rádio se redimir. Muitas das canções que por aqui se ouvem
poderiam ter sido escritas na tal América e até figurar em antologias do rock
rude, herdeiro da soul e do blues (“Rosario”), tipo George Thorogood (“Love At
First Sniff”), topam? Ou, se preferirem, filhas do cruzamento das bandas
sonoras de Tarantino (“Help Me”) e David Lynch (“Mighty River”), que o
psicadelismo também lhes assenta muito bem.
Um disco, já perceberam, cruzamento de muitos e bons
imaginários.
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Nicotine's Orchestra
Márcia - Dá ****
As frases feitas existem para serem usadas. Eis então:
primeiro estranha-se, depois entranha-se. A canção inicial causa uma sensação
esquisita: a voz cai para o sopinha de massa, as sílabas, ora se atropelam,
ora, comidas, desaparecem. Uma contrariedade.
A cada canção, habituamo-nos à ideia. Percebemos que a voz
frágil foi incorporada no estilo e o único (?) lamento é nem sempre percebermos
o que canta Márcia. Até porque pressentimos poemas lindos.
O resto é muito bom. Especialmente, o trabalho de
ourivesaria com que cada canção é vestida, longe da voz/guitarra do EP de
estreia (2009). Ou não estivessem na produção e em colaborações diversas alguns
dos nomes de relevo da novíssima música portuguesa (Real Combo, Walter
Benjamin, B. Fachada…).
O resultado é um trabalho de grande sensibilidade, do qual,
no entanto, é necessário aprender a gostar. Chamar-lhe a Carla Bruni portuguesa
é redutor, mas ajuda a situar a ideia.
Chatham County Line - Wildwood ****
Há discos que pedem de nós mais do que lhes podemos dar.
Este talvez seja um deles. Neste cantinho da Europa, há lá paciência para
darmos atenção a quatro maduros da Carolina do Norte, tão taradinhos por bluegrass que só ao quinto disco
juntaram uma tímida bateria e um discreto piano à plêiade de instrumentos
acústicos de que se rodeiam?
Pois é. Mas fazemos mal. Sai por isso uma proposta: perca
quatro minutos da sua vida e ouça com atenção uma destas canções. Pode ser, por
exemplo, “Alone In New York”. Ouve o extraordinário trabalho instrumental? E as
harmonias vocais? E a história, ela própria? E no género balada linda que se
farta há ainda “Crop Comes In”, talvez a melhor canção do disco. Aos
coleccionadores de canções peculiares sugere-se “Ringing In My Ears”, em que
poderão ouvir, num ambiente a atirar para o blues, excertos de canções de Paul
Simon, Elvis, George Harrison, Willie Nelson…
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Esperanza Spalding - Chamber Music Society ****
Eis um caso sério. Esperanza Spalding atingiu uma tal
notoriedade comercial e crítica com o registo em nome próprio (2008), que se
temia o pior. Que não conseguisse fazer melhor.
É claro que menosprezamos muitas vezes as evidências –
estamos perante um autêntico prodígio nos instrumentos (baixo), na voz, na
composição, na produção. E isto aos 25 anos.
A base de trabalho é o jazz, de largos espaços, como convém
ao baixo. A voz evolui por entre os instrumentos, ora de forma aveludada
(“Little Fly”), ora nos limites do improviso em registo scat (“Chacarera”).
Merecem menção especial duas colaborações de peso. Milton
Nascimento espraia-se no seu belíssimo “Apple Blossom”e Gretchen Parlato
desenvolve um espantoso diálogo vocal com Esperanza, acompanhado apenas pelo
baixo, em “Inútil Paisagem”, de Jobim.
Há ainda uma versão intensa de “Wild Is The Wind” e, no lado
dos originais, “Winter Sun” é forte candidata à peça de jazz perfeita.
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Esperanza Spalding
Hindi Zahra - Handmade ***
A Patti Smith do Norte de África. É assim que Hindi Zahra
está a ser promovida em todo o mundo (vem a Sintra dia 17). Trata-se,
obviamente, de um daqueles equívocos de se lhe tirar o chapéu. A ideia foi de
um crítico do Guardian, que assistiu
a um espectáculo há uns meses atrás. Agora, ouvido o primeiro disco, fica-se
com uma certeza – um dos dois estava com uma pedrada monumental.
Hindi Zahra poderia ser uma daquelas miúdas dos Nouvelle
Vague que enveredam por uma carreira a solo. Canções lânguidas, com um swing tipo lounge, neste caso ornamentadas de especiarias árabes.
Nascida em Marrocos e criada entre Paris e Londres, Hindi
explora ao máximo o filão: há traços de chanson
(“Beautiful Tango”), de blues (“At The Same Time”), de música berbere
(“Ousoul”) e até, porque não?, de flamenco ou até de bossa nova. E há canções
como “Fascination” que podem fazer o seu caminho e vencer o desafio da
intemporalidade.
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Hindi Zahra
Junip - Fields ***
Tudo resumido é assim: Junip é José González acompanhado de
teclas e bateria. Sim, a criação sai ao criador, mas não é exactamente a mesma
coisa. E, sim, este disco pode ser um tanto aborrecido para quem não estiver na
onda - uma espécie de transgénico, resultante do cruzamento do folk com o
psicadelismo, numa versão minimal repetitiva.
José González – e agora convém lembrar que o cavalheiro,
embora não pareça, é sueco, derivando o nome dos progenitores argentinos –
granjeou fama e proveito mundial a partir de 2003, quando lançou Veneer, uma colecção de canções acústicas,
servidas por guitarra e uma voz encantatória e ligeiramente monocórdica. Por
artes da indústria musical, as suas canções foram parar a séries de televisão
americanas e José virou fenómeno de culto, estado em que se encontrava em 2007,
quando lançou o segundo disco, In Our
Nature.
Os Junip, que juntam González às teclas de Tobias Winterkorn
e à bateria de Elias Araya, já existiam antes do sucesso de Veneer, mas foram sendo relegados para
segundo plano. Este Fields é, pois,
um disco de gestação lenta.
As canções que aqui podemos ouvir não são muito diferentes
daquelas que González gravou a solo. E aqui as opiniões podem dividir-se: os
ornamentos instrumentais favorecem, ou não, as composições originais? Se há
casos em que claramente se fica a ganhar (“Howl”, uma bela canção, de ritmo
suavemente afro-latino), noutros o psicadelismo insistente e repetitivo torna a
audição uma experiência algo desinteressante (por exemplo em “Rope &
Summit”, estranhamente escolhida para primeiro single promocional). Ou seja, os
instrumentos oram entram de mansinho, ora se impõem a tudo e todos, havendo
casos em que tudo isso se passa na mesma canção (“Tide”). Em suma, um disco que
só convencerá os convencidos.
Lloyd Cole - Broken Record ****
Que fazer com um fulano que começa um disco com uma
declaração destas: “Não que me reste alguma dignidade”? O melhor será fingir
que o levamos a sério. Afinal de contas, há um quarto de século que lhe conhecemos
a queda para fazer da melancolia uma espécie de euforia. Descodificando: poucos
conseguem conjugar, com esta elegância, “pain” (dor) com “gain” (ganho).
Melhor que as palavras, Broken
Record demonstra essa toada fatalista que dá vontade de cantarolar um
sonoro “la-ra-la” (a sério, há disso por aqui). Depois de quase uma década em
que lançou discos caseiros, gravados a solo, em tom menor, Lloyd Cole grava
finalmente 11 canções que, pela vivacidade, ressuscitam as boas memórias dos
Commotions.
Não foi fácil, esta gravação. Afastado da ribalta (Portugal
é dos raros países em que alcança um razoável sucesso), Lloyd precisou de
recorrer a mil fãs, que entraram com 35 euros cada, destinados a pagar os
músicos, recebendo em troca uma edição especial do CD empacotada pelo próprio.
O naipe de músicos inclui Blair Cowan, dos Commotions, e
Joan Wasser (Joan As Policewoman), e a produção, com recurso a pedal steel guitar, banjos e cordas,
remete mais para a América do que para a british
pop a que estávamos habituados (“Westchester County Jail” e “Rhinestones”
são descaradamente country). Mas há
uma “Oh Genevieve” tão afrancesada que até tem acordeão e canções belas e
intemporais como “Writers Retreat” ou “If I Were a Song”.
Em Outubro, Lloyd fará uma pequena tournée em Portugal (Porto, Guimarães, Estarreja, Sintra e
Coimbra), com o Small Ensemble, uma versão reduzida deste grupo de músicos, e
cantará certamente: “Maybe I’m not made for these times”. Talvez, mas por cá
não nos importamos.
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LLoyd Cole
Eels - Tomorrow Morning ****
O senhor Mark ‘E’ Oliver Everett, também conhecido por eels,
não é pessoa dada a grandes alegrias. Mas, nos últimos tempos, em razão de uns
problemas amorosos, andava um bocadinho macambúzio de mais. É, por isso, com
algum alívio que se comunica às massas uma melhoria, ainda que ligeira, do
ânimo do senhor Mark.
É verdade que aquela voz balbuciada não ajuda muito, mas
graças a uma dose inesperadamente acentuada de electrónica, há canções quase
alegres, quase dançantes (“Spectacular Girl”) e outras que parecem brincadeiras
(“I Like The Way This Is Going”). Mercê dessa electrónica toda e do timbre que
a voz de Everett por vezes assume, às vezes parece que estamos a ouvir Peter
Gabriel (“I’m A Hummingbird”), mas isso depois passa.
O nível geral das canções, e permita-se destacar “Oh So
Lovely”, é geralmente elevado, de tal forma que a alegria do senhor Mark
Everett se recomenda. Até porque sabe-se lá se dura.
Philip Selway - Familial ****
Este é um daqueles discos a que se chega por engano. Philip
Selway é baterista dos Radiohead e, nessa qualidade, até costuma figurar entre
os melhores da actualidade. Mas neste disco não toca bateria e poucos serão os
fãs da banda britânica que acharão o mínimo de graça a estas canções.
Este é um disco sobre as famílias, para ouvir sossegado em
casa, em família ou a sós, de preferência numa alta fidelidade, que a
delicadeza dos sons assim o exige.
Selway toca guitarra acústica (a pouca bateria que por aqui
se ouve ficou a cargo de Glenn Kotche, dos Wilco) e canta. E essa é a primeira
grande surpresa. É verdade que há outros baterias que cantam (Phil Collins até
enriqueceu com a brincadeira), mas a voz de Selway revela-se muito agradável,
seja em sussurro, seja em quase falsetto, seja num registo mais normal.
A outra grande surpresa são as canções, elas próprias. Todas
escritas por Selway e todas muito interessantes e belas, uma conjugação mais
rara do que se julga. Há memórias da mãe, falecida há poucos anos (“Broken
Promisses”), diálogos com o(s) filho(s) (“The Ties That Bind US”) e canções
sobre as escolhas que a vida nos põe pela frente (“A Simple Life”).
O registo deriva directamente do folk, parecendo por vezes
que somos transportados para o final dos anos 60, ou década de 70. Com a
“ligeira” diferença de que raramente as canções surgem na sua forma mais
primitiva. Com toda a subtileza do mundo, surgem arranjos, que passam por coros
muito serenos, alguma electrónica esparsa e até, aqui ou ali, elemento
orquestrais mais clássicos. Mas sempre, sempre, com uma leveza e um bom gosto
extremo, o que torna a audição do disco num exercício algures entre a
(auto)contemplação e o puro prazer estético.
Resta dizer que alguns portugueses já terão tido contacto
com estas canções, quando, em Maio, Philip Selway passou pelo CCB, na companhia
de Lisa Germano, e do baixista Sebastian Steinberg, que colaboram neste Familial.
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Philip Selway
Isobel Campbell & Mark Lanegan - Hawk ****
Duas receitas que se cruzam. A mistura do açúcar (Isobel
Campbell, ex-Belle & Sebastian) com o sal (Mark Lanegan, ex-grunge) e uma das correntes de maior
sucesso na música actual, aquela mistura de country
com blues, em registo indie, a que se convencionou chamar de americana.
A primeira receita vai no terceiro disco e recomenda-se.
Agora com a parte feminina a assumir totalmente os comandos, por exemplo na
produção, sendo que Lanegan nem se dá ao trabalho de escrever uma canção que
seja.
Uma das particularidades deste disco é a inclusão de dois
clássicos de Townes Van Zandt, uma velha glória do country, o que, de alguma
forma, dá o tal tom americana, que
perpassa por todas as canções. E é assim que oscilamos entre o blues agreste do
tema-título (um instrumental) e o quase sussurro de, por exemplo, “Snake Song”. No fim, fica uma certa desilusão, porque, no fundo, nada de
novo aqui se passa. Mas, que diabo, nem só de novidade vivem as almas.
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Isobel Campbell,
Mark Lanegan
Tired Pony - The Place We Ran From ***
Gary Lightbody, uma das almas dos escoceses Snow Patrol,
tinha um sonho: fazer canções americanas, vagamente country, um tudo nada
indie, ou aquilo a que agora se chama “americana”. Felizmente, esse é um género
cuja cadeia genética não constitui segredo industrial de monta.
Lightbody acabou num estúdio de Portland rodeado de um
punhado de amigos e, numa semana, engendraram isto que agora nos é dado ouvir.
A outra alma do grupo é Peter Buck, guitarrista dos REM, mas o disco tem muita
e variada gente a abrilhantá-lo. Tom Smith, dos Editors, dá gravidade a “The Good Book”, Zoey Deschanel (She
& Him) suaviza “Get On The Road” e por aí fora.
O resultado é interessante e, diz quem já viu, funciona
muito bem ao vivo, tal a quantidade e diversidade de gente em palco. Mas música
desta há por aí a rodos e não parece que este disco tenha suficientes elementos
distintivos para garantir a perenidade dos Tired Pony. A ver vamos.
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Flaming Lips - The Dark Side Of The Moon **
“Loucura” sempre foi a palavra que melhor assenta aos Pink
Floyd. Desde Syd Barrett ao estertor, o conceito esteve sempre presente, muitas
vezes até de forma bem explícita.
Ora, o que fazem os Flaming Lips nesta releitura integral de
uma das obras-primas da banda, quase quatro décadas após a edição original?
Acrescentam loucura à loucura. Ou, se quiserem, retiram a fina camada de
conveniência que civilizava o disco e deixam toda a sua profunda loucura à
vista de toda a gente.
Na tarefa a que meteram ombros, os Flaming Lips tinha dois
obstáculos à partida, para só falar nos mais evidentes: a sua proximidade sónica aos PF, que os
impediria de se libertarem do original; o valor intrínseco de “Dark Side”, que
torna virtualmente impossível uma re-leitura de peso idêntico.
A opção tornou-se relativamente evidente: o osso das canções
ficou quase intocado, enquanto à sua volta se desenvolveram malhas sonoras
libertadoras. Não é brilhante.
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Be Yourself - A Tribute to Graham Nash ****
“I Used To Be A King”, interpretada pelos Vetiver, poderia
perfeitamente ser uma canção acabadinha de escrever, tal a modernidade da
escrita e da interpretação, talvez a melhor deste disco. Mas essa e todas as
outras canções têm quase 40 anos e integraram o primeiro disco a solo de Graham
Nash, a alma dos britânicos Hollies e o N dos Crosby, Stills, Nash e (às vezes)
Young.
Este CD reproduz fielmente o disco original, Songs For
Begginers, uma espécie de homenagem organizada pela filha Nash.
Curioso é que as canções conhecidas, “Chicago” e “Military
Madness”, parecem ser hoje as menos interessantes, e as verdadeiras jóias são
aqueles em que ainda não tínhamos reparado com atenção, como é o caso de
“Better Days”, ou “Be Yourself”.
Muito estimulante é o facto de as interpretações terem
fugido à repetição do original, mas recusarem igualmente a diferença pela
diferença. O resultado é uma serenidade e uma beleza que fazem justiça a Nash.
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Tom Petty and The Heartbreakers - Mojo ***
Pronto, já todos percebemos: Tom Petty sabe escrever e interpretar blues. Podemos continuar a ouvir música interessante? Ah não? É preciso explicar? Então é assim…
Tom Petty anda perdido há umas três décadas, precisamente
desde que decidiu gravar o primeiro disco. O homem começou por ser confundido
com o punk, e depois compararam-no a
Springsteen, e depois (enfim…) a Dylan, e por aí fora. E tudo isto porquê?
Simples – Tom e os seus Heartbreakers nunca conseguiram encontrar uma voz
própria e, acima de tudo, marcante. Fizeram, por isso, discos sofríveis,
aceitáveis até, mas nunca brilhantes.
Este Mojo não foge à regra. É um tratado de blues. Há-os de
todos os estilos – à la Clapton (“Running Man’s Bible”, psicadélicos “First
Flash of Freedom”, talkin’, pesados, leves, quase-reaggae (“Don’t Pull Me
Over”) e até (sim) dylanianos (“No Reason To Cry”). Tudo muito certinho.
Excepto a emoção de que estas coisas são feitas e que por aqui não mora. Enfim,
o costume.
Regina Spektor e Chris Isaak
O Cool Jazz Fest tem vindo a afirmar-se como um dos mais
interessantes festivais de Verão em Portugal. Desdobrando-se por todo o mês de
Julho, em vários e inesperados palcos de Cascais e Mafra, apresenta muito mais
que o jazz e arredores indiciados no título. Este ano traz-nos , por exemplo,
Elvis Costello e o grande Solomon Burke.
As honras de abertura vão, porém, para dois nomes pop que
pouco ou nada têm comum.
Regina Spektor é uma russa que cresceu nos meios musicais de
Nova Iorque. Da Moscovo natal nada lhe ficou, à excepção talvez do piano de que
é inseparável. Faz uma música de autor, pouco comercial, sofisticada, apesar de
nunca perder de vista os cânones da pop actual.
A sua primeira actuação em Portugal basear-se-á nos dois
primeiros discos de originais: Begin To Hope
(2006) e Far (2009), sendo que as
potencialidades das canções e a versatilidade da artista prometem uma noite
luminosa e de improvisos.
Chris Isaak é de outra colheita. Californiano, na casa dos
50, evoca os anos 50 e 60, na vertente melancólica, assumindo-se como herdeiro
de Roy Orbison e das suas canções de sofredor apaixonado e abandonado.
Tem uma canção que já toda a gente ouviu, embora talvez não
saiba nomear (“Wicked Game”), representativa da extrema sensualidade que marca
a sua obra.
Após um jejum de sete anos, lançou um disco em 2009 (Mr. Lucky), que será a base da actuação
em Portugal, naquela que promete ser a noite romântica do festival.
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