Quem consegue chegar ao fim deste verão sem provar um gelado de caramelo salgado? Até os supermercados low cost os têm. Um sabor de verão preservado para a eternidade, em mais uma daquelas canções muito bem dispostas dos Metronomy, um cruzamento de Bee Gees, era disco, com os Pet Shop Boys (ou será Kraftwerk?).
Joseph Mount continua a escrever canções que tanto dão para as pistas de dança, como para os mais cool sunsets – sim, esta música é verão puro – de estrutura basicamente funk, cobertura essencialmente eletrónica, com uns riffs de guitarra que sabem tão bem como os toppings. Esse registo, também em “Lately” ou “Insecurity”, tem neste sexto disco da banda um contraponto talvez demasiado expressivo em temas mais experimentais (“Forever is a Long Time” e “Miracle Rooftop”), que funcionam como espaço de respiração, mas que não deixam de ser uns baldes de água fria que por aqui vão aparecendo.
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Metronomy - Love Letters ****
Os improvisos, como se sabe, dão muito trabalho a preparar. É como a música dos Metronomy: esta electrónica deliberadamente 'lo-fi' necessitou de um estúdio analógico para que todos os sons saíssem claros mas redondos. Esta depuração, como que um burilar de 'demos', é a marca de água do quarteto inglês. O resultado é uma pop dançante ("Reservoir"), mas ainda assim melancólica, ou não girasse todo o disco em torno da temática do desencontro (amoroso, claro está), a raiar o desespero, a angústia mesmo - ouça-se, por exemplo, o martelar do refrão em "I'm Aquarius". Quer na composição, que especialmente na encenação, as canções devem muito à Motown (exemplo máximo: o tema que dá nome ao disco), com paragens mais ou menos evidentes nos anos 80 ("Reservoir" poderia estar num disco dos Orchestral Manoeuvres in The Dark). Espantosamente, é uma música que sobrevive, e bem, ao calculismo notório da sua construção.
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