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Angel Olsen - Big Time *****

“Chasing the Sun”, que encerra o disco, envolta em cordas, é um hino à felicidade. Na primeira pessoa. Do plural. E tudo isto são novidades em Angel Olsen. Bom, as cordas eram tudo em “All Mirrors” (2019). O resto, a companhia, a felicidade, essas, sim, são novidade. Este disco acontece na sequência de acontecimentos relevantes na vida pessoal de Angel – a assunção pública de um amor, a morte dos pais – e isso percebe-se a cada canção. Porque há canções de perda (“Right Now”), como antes, no início da carreira, mas agora também há aceitação, esperança e amor (“Big Time”). Há, portanto, uma riqueza temática que torna empolgante a audição e a descoberta, bem patente na complexidade de “Right Now”. Musicalmente, estamos perante um regresso ao country inicial, após a experiência orquestral de 2019 e o disco a solo de 2020. Correndo o risco do lugar-comum, esta é uma obra, talvez a primeira, de perfeita maturidade. Um novo capítulo.

Angel Olsen - All Mirrors ****

Como alguém que procura infinitas planícies para gritar as suas dores. Ou penhascos para chorar íntimas traições. E juras desesperadas. É assim o mais recente registo de Algel Olsen. As canções continuam perdidas, entre a constatação de amores irremediáveis e a recusa em baixar as armas, procurar sempre, falhar, como dizem os poetas, falhar ainda mais e melhor. Mas agora essas confissões são-nos servidas em turbilhões sonoros, de guitarras, sim, essas que conhecemos desde o primeiro disco, vai para seis anos. Também os sintetizadores, que aqui chegaram em 2017 (“My Woman”). Mas especialmente através das cordas, muitas, planantes algumas, tensas e densas, na maioria dos casos. A orquestra é a grande arma de Angel nesta quinta investida, tornando expansiva a já nossa conhecida intimidade. “Lark”, logo a abrir, marca o tom, com as cordas a gerarem uma enorme barreira sonora, que rebenta num continuum a caminho de um fade out de guitarras distorcidas. Dramatismo sonoro a rodos, com intervalos de doce distensão. E cinema, como em “New Love Cassette”, uma peça assumidamente gainsbourguiana (“Melody Nelson”). E depois aquela “Chance”, a fechar, com o glamour decadente dos anos 50. As cordas rodopiam e dançam.