Janita Salomé juntou velhos e novos amigos para regravar dez temas da sua discografia. José Cid trocou-lhe as voltas e fez questão de juntar a sua própria versão de “Ciganos” (letra de Manuel Alegre), pelo que o disco acabou por ficar com 11 temas (não lhe digam, mas a versão do Cid não acrescenta nada). De resto, como era de prever, há por aqui belíssimos duetos, como o que junta Janita a Camané (“Homens do Largo”), ou Maria João (“Não É Fácil o Amor”), ou mesmo o instrumental “Palestina”, com os Fogo Fogo. Este tema, assim como a reinterpretação da canção sefardita “La Rosa Enfloresce” (com Ana Bacalhau), a que se poderia juntar “Zeca” (letra de Hélia Correia, dueto com Filipa Pais), preenchem a vertente política de quen Janita nunca abdicou. Isso e os poetas (além dos já citados, Natália Correia e o seu “Creio nos Anjos que Andam pelo Mundo”, com Marisa Liz. Em alguns momentos, diga-se, espreita a saudade da ingenuidade e força alentejanas dos originais.
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Janita Salomé - Valsa dos Poetas ***
Canções sobre poetas, canções de poetas, poetas das canções. Janita presta homenagem a alguns dos seus poetas preferidos, com novos e velhos temas, num registo de grande amplitude musical e interpretativa. Se “Bluebird”, poema de Charles Bukovski, surge num blues algures entre, digamos, Nick Cave e Tom Waits, já “Aquela Triste e Leda Madrugada” (Camões) é-nos apresentada num estilo jazzístico. Essa diversidade é assumida e resulta da opção de ter entregue os arranjos dos temas a dois músicos: Mário Delgado (guitarra) e Filipe Raposo (piano). Nos temas revisitados, há uma nova versão de “Não É Fácil o Amor” e outra de José Afonso (“Era um Redondo Vocábulo”). Lugar ainda para olhares mais a sul, com um poema de Ibn Amar. E depois aquela “Vozes do Sul / Carta à Sra. Dª Europa”, em que o próprio Janita se rebela contra os “usurários encartados” que comandam o Velho Continente, e não só. A poesia enquanto arma possível
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