Mostrar mensagens com a etiqueta Patrick Watson. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Patrick Watson. Mostrar todas as mensagens

Patrick Watson - Wave ****

Aí vamos novamente, carrocel de emoções, a vida transformada em arte sonora, nós no papel de voyeurs de sentimentos, dores e ressurreições alheias. Foram duros os anos de Patrick Watson desde “Love Songs For Robots” (2015): a morte da mãe, uma separação dolorosa. Tudo isso está neste disco, há versos e linhas melódicas de melancolia um pouco por todo o lado. Mas este é também um disco de exorcizar fantasmas, de reerguer a cabeça e continuar. A generalidade das canções tem, é certo, a tal tristeza, muito devedora do timbre melancólico da voz, mas são quase sempre um crescendo sonoro e luminoso, assentes em orquestrações de uma rara leveza, tendo em conta a diversidade instrumental presente. Há momentos desconcertantes (“Wild Flower”), de intensa beleza (“Look At You”) e mesmo de uma inusitada vivacidade, com recurso ao tango e tudo (“Melody Noir”). Sim, que terapia é a música.

Patrick Watson + Perry Blake


Uma noite de construção de paisagens sonoras na Avenida. Patrick Watson, já conhecemos, com aquela cacofonia organizada que se tornou imagem de marca. Perry  Blake a surpreender, com um projecto radicalmente diferente daquilo a que nos habituou. Deixemos as surpresas para o fim. Patrick Watson traz a Lisboa um concerto vastamente rodado na América, construído em torno do último disco, Adventures in Your Own Backyard. Acontece que, nesse CD de prolongada maturação doméstica, o canadiano experimentou um novo conceito: tentar captar em estúdio a criatividade exuberante dos espectáculos ao vivo. Uma inversão de processos, que tornará menos surpreendente o exercício de palco, apesar disso muito recomendável, tendo em conta o rasto de imaginação que o portugueses tão bem conhecem. Perry Blake, outro habitué destas paragens, traz agora o seu novo projecto, Electro Sensitive Behaviour, do qual pouco se conhece – o disco só sai daqui a umas semanas -, apenas que se trata de electrónica pura e dura. Resta saber se o projecto abarca apenas as novas canções, ou se irá reciclar aquelas coisas melodiosas com que o irlandês se estabeleceu nas margens menos comerciais da pop.

Patrick Watson - Adventures In Your Own Backyard **

Nem sempre um boa colecção de pérolas faz um belo colar. É o que acontece com este disco, o quarto de Patrick Watson. Cada canção é uma pequena obra de arte, especialmente nas orquestrações. Pormenores de piano, de metais, coros ou guitarra fazem de cada canção uma aventura sonora, sempre melodiosa, sempre na busca de um conceito de beleza óbvia. Estamos claramente no território da intimidade, da melancolia, embora os tons pastel nunca resvalem para a zona de escuridão. E talvez seja esse um dos problemas, talvez que seja tudo demasiado bonitinho, muito certinho, e falte por aqui garra, uma voz que rasgue. Patrick Watson, entretido em tecelagens de falsetos, torna este exercício ainda mais fastidioso. O que torna o CD mais recomendável para experiências de levitação zen do que propriamente de fruição musical. E, no entanto, o potencial está lá todo... Talvez para a próxima.