Não é seguro que a música salve, mas há discos que aliviam muito os dias cinzentos. Ray LaMontagne levou os dias de confinamento a sério e, completamente sozinho, compôs, produziu e interpretou o seu oitavo disco. E não é que desses dias de chumbo saiu um dos mais luminosos discos deste ano? O psicadelismo dos últimos tempos deu lugar a um regresso às origens, baladas folk sem arestas, melodias de encantar e assobiar por mais. A disposição geral vai a par: canções de amor, amor mesmo, nada de corações partidos... enfim, um ou outro lamento, nada que deixe marcas alma. E depois há o divertimento um pouco virtuoso de este ser um disco de veneração a grandes mestres e influenciadores, como se a canções fossem por vezes quase pastiches. De Van Morrison, em “Misty Morning Rain”, de Neil Young, em “Rocky Montain Healin’”, dos Credence Clearwater Revival, em “Strong Enough”, dos Mamas and Papas (ou será Carpenters?), em “Weeping Willow”. Um disco feliz.
Mostrar mensagens com a etiqueta Ray LaMontagne. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Ray LaMontagne. Mostrar todas as mensagens
Ray LaMontagne - Supernova ****
Nunca Ray LaMontagne tinha ido tão longe em ir tão atrás. As
influências psicadélicas eram já percepíveis nos quatro discos anteriores, mas
a melancolia e algum intimismo eram ainda as notas dominantes. Este Supernova
é, pelo contrário, uma explosão de cores, que se desenvolve em paletas sonoras estritamente
confinadas ao final dos anos sessenta. Às tantas, convencemo-nos de que estamos
a ouvir os Pink Floyd de Syd Barrett, em "Smashing", os Jefferson
Airplane, em "Lavender", Neil Young, em "Ojai", os Byrds,
em "Drive-in Movies", e por aí fora. E depois há canções, como
"Pick Up a Gun", quase perfeitas, na sensação de terem absorvido toda
uma época revista pelos anos que lhe sucederam. É certo que parte da magia vem
da produção de Dan Bauerbach (Black Keys), mas - justiça seja feita - o
material de base, as canções, está bem à altura da ambição. Os fãs, claro, vão
ter saudades daquela voz funda e sofrida de outras eras. Mas este é um disco de
Verão!
Labels:
Discos,
Ray LaMontagne
Subscrever:
Mensagens (Atom)

