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Momo - I Was Told To Be Quiet ****

Marcelo Frota, aliás Momo, disse algures que escreveu “Stupid Lullaby” imaginando Nina Simone a cantar “Wild is the Wind”. 
Entende-se bem a ideia durante o improviso vocal que encerra o tema, e também na delicadeza firme com que a canção evolui. Mas a verdade é que, nesta como noutras canções, seja na abertura seja em “Mon Néant”, por exemplo, sentem-se também muitos requebros do fado, a música com que este brasileiro do mundo convive desde a chegada a Portugal, há uns quatro anos. 
Esclareça-se: este é um disco radicalmente brasileiro, filho da bossa nova, parente um pouco mais afastado do samba (“Diz a Verdade”). 
É à bossa nova que Momo vai buscar a simplicidade e a contenção. E foi com o produtor Tom Biller que vestiu as canções de um cosmopolitismo a que não faltam caixas de ritmos e outras electrónicas. 
Um disco em português, inglês e francês, por onde passam todas as perplexidades da alma humana. Num registo sereno e relaxado.

Momo - I Was Told To Be Quiet ****

Marcelo Frota, aliás Momo, disse algures que escreveu “Stupid Lullaby” imaginando Nina Simone a cantar “Wild is the Wind”. Entende-se bem a ideia durante o improviso vocal que encerra o tema, e também na delicadeza firme com que a canção evolui. Mas a verdade é que, nesta como noutras canções, seja na abertura seja em “Mon Néant”, por exemplo, sentem-se também muitos requebros do fado, a música com que este brasileiro do mundo convive desde a chegada a Portugal, há uns quatro anos. Esclareça-se: este é um disco radicalmente brasileiro, filho da bossa nova, parente um pouco mais afastado do samba (“Diz a Verdade”). É à bossa nova que Momo vai buscar a simplicidade e a contenção. E foi com o produtor Tom Biller que vestiu as canções de um cosmopolitismo a que não faltam caixas de ritmos e outras electrónicas. Um disco em português, inglês e francês, por onde passam todas as perplexidades da alma humana. Num registo sereno e relaxado.

Momo - Voá ****

Quando, ao fim de minuto e meio de doçura e delicadeza de Momo, a voz de Camané irrompe poderosa, “Alfama” dispara em todas as direções. É samba? É fado? É valsa? Flamenco? Pouco importa, na verdade. Que a graça desta música é essa mesmo. Isto é, na verdade, música brasileira até ao osso (“Pensando Nele”), tem o doce balancear dos trópicos, mas não se deixa aprisionar no samba, na bossa ou em qualquer outro formato (“Mimo”, escrita com Rita Redshoes”). Momo (Marcelo Frota) é ele próprio um cidadão do mundo (“Song of Hope”), mineiro de nascimento, em Alfama há um ano, com passagem por vários pontos do globo. A sonoridade, mais luminosa e complexa que a dos seus quatro discos anteriores, deve-a à produção de outro brasileiro de Lisboa, Marcelo Camelo. Uma música ondulante, quase dançante, assente numa poética introspectiva (“Roseiras”) e melodias planantes (“Esse mar”). Bem bonito.