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The Unthanks - The Songs Of Robert Wyatt and Antony & The Johnsons ****

Os discos de versões tendem a expandir o universo original, através da oferta de novos mundos às canções. Sendo um disco de versões, este faz o trabalho inverso. Digamos que se trata de uma gravação para fãs, como se os admiradores de Antony Hegarty (Antony & The Johnsons) e Robert Wyatt se tivessem reunido num teatro de Londres para venerar os seus ídolos e tivessem encarregado os Unthanks de os guiar. Não há aqui um trabalho de verdadeira apropriação ou transfiguração dos originais, mas antes de veneração. Quer isto dizer que se trata de versões menores? De todo. Ouça-se, por exemplo, “Bird Gerhl”, “Sea Song” ou a espantosa “Free Will and Testament” para se perceber o carinho colocado em cada interpretação. São canções de grande beleza e intensidade e essas características são preservadas e até intensificadas, em orquestrações baseadas no piano e enriquecidas com cordas e alguns toques vibrantes de metais. Ah, e as manas cantam tão bem!

The Unthanks - Last ****

A melancolia como forma de arte. Êxtase para os adeptos das coisas tântricas, um desespero para o resto dos mortais. Há oito anos e quatro discos que as manas Unthanks se dedicam à obsessiva tarefa de espalhar a tristeza pela face da Terra. As canções, muitas delas tradicionais, outras de autores mais ou menos famosos, e ainda outra originais, são submetidas a um eficaz processo de desaceleração rítmica, embrulhadas em esparsas orquestrações e depois passadas pelas vozes encantatórias de Rachel e Becky, quais sereias da folk britânica, atraindo-nos para abismos imensos.
Neste Last, o trabalho de orquestração é particularmente meticuloso, por exemplo transfigurando “Starless” (dos King Crimson) numa canção de beleza sufocante. Já “No One Knows I’m Gone” (de Tom Waits) resulta relativamente banal. “Close the Coalhouse Door” entra por caminhos complicados,  tornando talvez demasiado próximo o drama dos mineiros. Não é para todos.