Mostrar mensagens com a etiqueta Rodrigo Leão. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Rodrigo Leão. Mostrar todas as mensagens

Rodrigo Leão - A Estranha Beleza da Vida ****

Como num filme, outra vez. Os temas deste novo sucedem-se, em jeito de banda sonora de um filme que cada um de nós pode imaginar. Como noutros discos de maior fôlego de Rodrigo Leão. O ambiente onírico é agora ainda mais acentuado, devido à prevalência das encenações musicais que remetem para jogos de infância, em que pressentimos caixinhas de música, martelinhos e outras assombrações (“Sibila”, “A Valsa da Petra”. Trabalhos de pura nostalgia, sublinhados pela valsa e pelo acordeão. Como sempre, os temas cantados são entregues a grandes e pequenas estrelas internacionais, no caso, Kurt Wagner, Michelle Gurevich e Martírio. E também um cuidado especial na imagem, com a intervenção gráfica de Afonso Cruz e de Teresa Vilaverde. O disco encerra uma trilogia marcada pela pandemia (antes: O Método; durante: Avis 2020; após?: A Estranha Beleza da Vida), que o artista paradoxalmente classifica de Liberdade. O novo disco deverá marcar o regresso de Rodrigo Leão aos palcos.

Rodrigo Leão - Songs (2004-2012) ****

O Álvaro, já se sabe, aposta no pastel de nata. O que, sabendo bem, sabe a pouco. Nada, pois, como diversificar. Rodrigo Leão pode ser uma alternativa, ou até uma via paralela. Falamos, claro está, de economia e da necessidade extrema que temos de fazer dinheiro, de preferência lá fora, onde ele existe. Este Songs 2004-2012 é claramente um objecto exportável, tanto mais que Rodrigo Leão não é propriamente um desconhecido em talvez mais países que o pastel de nata. O disco reúne canções cantadas em inglês dos discos Cinema (2004), A Mãe (2009) e A Montanha Mágica (2012), a que se juntam três originais, sendo que um deles, o instrumental “Lost Words”, é a excepção que valida a regra. Em resumo, estamos perante a faceta mais pop de Rodrigo Leão, sendo que, no seu caso, pop não significa necessariamente ligeireza. Apenas uma abordagem mais de acordo com os cânones vigentes, embora nunca dispensando a carga neoclássica e minimalista que é a sua marca de água. As boas companhias - outro argumento de exportação – contribuem fortemente para a fixação da identidade dramática de Rodrigo Leão, seja pela intensidade de Beth Gibbons (“Lonely Carrousel”), ou de Scott Matthew (que assina e canta um dos inéditos, “Incomplete”), ou pelos registos tão característicos de Neil Hannon ou Stuart Staples, ou ainda pelas presenças nacionais de Sónia Tavares e Ana Vieira. A Joan Wasser (Joan As a Police Woman) cabe o outro inédito (“The Long Run”), a canção (valsa) mais ligeira do disco. Nota negativa para o modo como tudo isto é apresentado: em lado algum do disco há nota para as datas de gravação dos temas, em que discos sairam, ou sequer quem canta o quê. Tratando-se de uma antologia (aparentemente, a primeira de uma série sobre a obra do artista), justificava-se algum empenho didáctico, já que, afinal de contas, este disco pode servir de porta de entrada para um dos valores mais seguros da música portuguesa contemporânea.