Os Sigur Rós deixaram-se de contemplações, literalmente ou quase, e o resultado, sendo surpreendente, não espanta nem encanta por aí além. O sétimo disco da banda islandesa, agora reduzida a três elementos, assume uma certa influência do mundo do metal e das suas correntes mais industriais e sombrias. O resultado não poderia ser mais óbvio, logo a partir da abertura, com "Brennisteinn", ou mais à frente com o tema que dá título ao CD - o ambiente é claramente pesado, à beira da opressão audio-respiratória, e alguns ouvidos menos habituados poderão mesmo confundir esta música com alguma instalação fabril fora de controlo. Os outros Sigur Rós, mais lineares e contemplativos, também marcam presença, por exemplo, em "Var", e noutros momentos ("Stormur") parecem quase soçobrar à pop. Poder-se-ia, então, imaginar que a diversidade de soluções é sinal de vitalidade. Paradoxo: estes 50 minutos (será a batida) resultam um tanto entediantes.
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Sigor Rós - Valtari ****
Este é um disco que se ouve bem no Youtube. Os Sigur Rós
convidaram uma série de cineastas para criarem vídeos a partir de cada uma das
canções deste Valtari e o resultado, como se adivinhava, é espantoso. Se cada
uma das canções já remete para territórios oníricos muito próprios, imagine-se
tudo isso fantasiado em imagens, que cobrem a música de mais algumas camadas de
imaginação. O caso mais espantoso talvez seja a recriação de Fjogur Píanó por Alma Har’el, de uma
muito particular e intensa beleza. Sem imagens, recomenda-se vivamente Varúõ, uma coisa quase religiosa, entre
várias camadas vocais, momentos de grande serenidade e um explosão a remeter
para os grandes espaços. O resto do disco é para sorver tranquilamente, quase
em melancolia. Após cinco anos de silêncio, os Sigur Rós regressam aos
primórdios das texturas e do paisagismo melódico. Obviamente que não é para
todos.
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